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A morte do último intelectual universal brasileiro - parte 4 (final)

Colaboração ao estudo da Identidade Nacional como um problema A identidade nacional é o espírito, a psique, a unidade cultural de um povo, e isto vai muito além de bugigangas e quinquilharias particulares de um grupo ou tribo: é o que uma sociedade contém de verdade em seus costumes, e como trabalha e perpetua estas verdades, na forma de uma tradição, ritos, folclore, símbolos, numa força mitológica de se perpetuar para além do tempo. A identidade nacional é o espírito de nacionalidade, ou o sentimento, que une pessoas de diversas classes e estilos de vida em torno de uma pólis. Em 1990, pronunciei na Casa do Estudante do Brasil, Rio de Janeiro, uma conferência sob o título de “O fim do ciclo nacionalista”. A tese central era que a cultura brasileira, tendo como foco a busca e afirmação da identidade pátria, não sobreviveria ao advento de uma nova situação mundial marcada pela dissolução das soberanias nacionais e por aquilo que viria a ser chamado de “multiculturalismo”. O Brasil ...

Tecnologia e o nosso futuro

  Tecnologia e o nosso futuro Vivemos num mundo em que as tecnologias se tornaram num bem acessível à grande maioria das pessoas; uma criança hoje já nasce com um computador na mão, e as consequências disso nós não sabemos. É como uma nova roupa, ou um tratamento médico, um medicamento, um novo emprego, não sabemos se será bom ou ruim, até que os sinais transcorram com o tempo. Assim nossa vida está permeada de realidades que ignoramos, e cujas consequências, boas ou nefastas, não passa em nossa mente, exceto, talvez, aquela falseada esperança de que tudo caminha para uma melhoria ascendente sempre. Esquecemos que o homem é um ser que pode caminhar para trás, e em verdade, quem conhece minimamente a história, vê que a história do homem não é uma reta ascendente, que evolui, mas é um zigue-zague correndo dos desafios que por toda parte o obrigam a sobreviver e agir. Também as nações ziguezagueiam de um lado a outro, caindo e se levantando, morrendo e nascendo, e o sentido delas, em...

A Morte do Último Intelectual Universal Brasileiro Parte I

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  A Morte do Último Intelectual Universal Brasileiro “ Nós não somos a matéria que nos compõe – nós não somos aquilo que nós comemos – mas aquilo que nosso espírito criou. Olavo de Carvalho Parte I Nota preliminar: Esta publicação parcial será em homenagem pelo aniversário de 1 ano de falecimento de Olavo de Carvalho, o maior filósofo brasileiro do século, e se não fosse pela incapacidade de seu autor de abarcar o mundo inteiro, diria sem pedantismo, do Mundo; no entanto, limitemo-nos em dizer, sem dúvida de errar, o maior estudioso do Movimento Revolucionário e da Cultura Brasileira. Os Homens notáveis nunca se prezam à mentira, os incautos desfalecem-se perante a verdade sobredita. Adoto a máxima de que Deus levanta alguns homens de tempos em tempos para salvar a civilização da sua completa ruína, como bem ensinou o Padre Sertillanges. Olavo de Carvalho é um desses homens, também inspirado por aquele, e a preocupação de escrever este trabalho é eminentemente por sua causa: po...

Lições de escrita apr(e)endidas

  Lições de escrita apr(e)endidas Na ordem intelectual ou puramente artística é importante ir escrevendo à medida que se lê. Antonio Albalat Interessante observa ção; não achava que fosse tão importante para a vida intelectual a anotação; que seria a reflexão sobre a leitura que fosse introduzindo no íntimo da memória a articulação daquelas ideias, mas agora vejo que não é bem assim, por mais boa memória que se tenha, é sempre necessário anotar as apreensões que se tem inicialmente, porque elas fundamentam as reflexões posteriores de maneira mais vivaz, nítida e não sombreada pela oscilação das muitas vozes que circundam o pensamento após a leitura diversa de muitos autores distintos. (Nota sobre A Arte de escrever em 20 lições) Não basta seguir este conselho, o de anotar suas impressões e apreensões de leitura, tem que anotar suas observações da vida, porque a matéria da mente se perde nos recônditos inacessíveis da memória, até que por algum milagre alguma coisa surja como q...

Escritores e Pretensos escritores

 A linha que separa escritores de pretensos escritores é muito tênue. Há escritores que nunca foram, e há pretensos que já são, porque a diferença reside na substância do que é escrito, há substância individual, tal como o pão precisa da matéria nutritiva para ser pão, e o vinho precisa vir da uva e ter álcool para ser vinho, tal como da cana de açucar pode vir o melado ou a cachaça, a substância é nítida.  As palavras são a matéria de que o escritor vai utilizar para dar substância às suas ideias, e com elas vai formar o seu pão, com a parte nutritiva que vai alimentar a imaginação de um outro. O escritor escreve por si e para o outro, não existe egoísmo e altruísmo nesta ação, é tudo uma coisa só. A doação é venda, a compra é alienação de bem do outro.  O escritor vai utilizar estas palavras e formar suas ideias e atribuir-lhes substância que alimente o outro, não conforme o pedido do outro, nem muito menos conforme a sua própria, mas conforme o pão que se queira expor ...

Questões comuns na escrita do conto: Dificuldades para escrever contos

  Questões comuns na escrita do conto: Dificuldades para escrever contos Existem muitos motivos pelos quais a escrita de contos se torna desafiadora e um tanto displicente, a começar pelo seu breve tamanho: um conto deve ser breve, e ainda assim conter em si o início, meio e fim de uma narrativa. Não necessariamente deve atender a clichês como o arco do herói ou a descrição minuciosa da psique da personagem, ou um desenvolvimento linear. Mas o conto deve conter em si a sua matéria-prima que é o foco narrativo . Por ser breve, o conto precisa ter um foco narrativo, dificilmente uma narrativa rica em pontos de vista será útil aqui, porque terá de concorrer às poucas linhas disponíveis e, pecar contra isto, faria o texto ser pobre ou prosaico, isto na melhor das hipóteses, porque facilmente, sem o domínio do gênero, o texto sairá mesmo caótico e infantil. Mas o proêmio sobre o conto não é este, de fato, o que há de mais tradicional e vigoroso na literatura brasileira, tirada a poe...

Monda ó tu homem

 Monda ó tu, homem, dedicado às letras pequenas e grandes,  arcaicas ou nobres, pueris e sóbrias, triviais e corriqueiras,  atuais e passageiras, sempre a mercê das ideias sublimes e da exatidão do Logos,  para que sejas digno de levar a alcunha de criador das palavras.  Criador no sentido de cultivador, não obstante possa ser também o pai de algumas delas,  tal como o professor ensina a muitos e de alguns é mestre,  e de mais alguns ainda é progenitor,  mas Pai dize só a Deus e a Cristo que também é Mestre e Criador de Palavras,  porque Ele é o próprio Logos.