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Escritores e Pretensos escritores

 A linha que separa escritores de pretensos escritores é muito tênue. Há escritores que nunca foram, e há pretensos que já são, porque a diferença reside na substância do que é escrito, há substância individual, tal como o pão precisa da matéria nutritiva para ser pão, e o vinho precisa vir da uva e ter álcool para ser vinho, tal como da cana de açucar pode vir o melado ou a cachaça, a substância é nítida.  As palavras são a matéria de que o escritor vai utilizar para dar substância às suas ideias, e com elas vai formar o seu pão, com a parte nutritiva que vai alimentar a imaginação de um outro. O escritor escreve por si e para o outro, não existe egoísmo e altruísmo nesta ação, é tudo uma coisa só. A doação é venda, a compra é alienação de bem do outro.  O escritor vai utilizar estas palavras e formar suas ideias e atribuir-lhes substância que alimente o outro, não conforme o pedido do outro, nem muito menos conforme a sua própria, mas conforme o pão que se queira expor ...

Questões comuns na escrita do conto: Dificuldades para escrever contos

  Questões comuns na escrita do conto: Dificuldades para escrever contos Existem muitos motivos pelos quais a escrita de contos se torna desafiadora e um tanto displicente, a começar pelo seu breve tamanho: um conto deve ser breve, e ainda assim conter em si o início, meio e fim de uma narrativa. Não necessariamente deve atender a clichês como o arco do herói ou a descrição minuciosa da psique da personagem, ou um desenvolvimento linear. Mas o conto deve conter em si a sua matéria-prima que é o foco narrativo . Por ser breve, o conto precisa ter um foco narrativo, dificilmente uma narrativa rica em pontos de vista será útil aqui, porque terá de concorrer às poucas linhas disponíveis e, pecar contra isto, faria o texto ser pobre ou prosaico, isto na melhor das hipóteses, porque facilmente, sem o domínio do gênero, o texto sairá mesmo caótico e infantil. Mas o proêmio sobre o conto não é este, de fato, o que há de mais tradicional e vigoroso na literatura brasileira, tirada a poe...

Monda ó tu homem

 Monda ó tu, homem, dedicado às letras pequenas e grandes,  arcaicas ou nobres, pueris e sóbrias, triviais e corriqueiras,  atuais e passageiras, sempre a mercê das ideias sublimes e da exatidão do Logos,  para que sejas digno de levar a alcunha de criador das palavras.  Criador no sentido de cultivador, não obstante possa ser também o pai de algumas delas,  tal como o professor ensina a muitos e de alguns é mestre,  e de mais alguns ainda é progenitor,  mas Pai dize só a Deus e a Cristo que também é Mestre e Criador de Palavras,  porque Ele é o próprio Logos. 

Quem lê hoje em dia?

Estes dias estava eu vendo uma informação de quantos livros leem por ano a medianidade da população de vários países, como a informação já era de terceira via, preferi dar uma pesquisada na internet e assim '‘averiguar’' por mim mesmo as informações. No site do UOL, apresenta-nos uma informação de que os franceses leem em média 21 livros por ano, enquanto que o Brasil lê em média 5, o que é até bastante. Outra pesquisa, Instituto Pró-Livro, aponta que o Nordeste é onde mais se lê. Em João Pessoa, 64% da população é leitora regular, algo impressionante. Se contarmos pelo número de horas em média, a Índia fica em primeiro lugar, com quase 11 horas de leitura de livros por semana; Tailândia, China e Filipinas, todos asiáticos, ficam em seguida. E embora estivesse o Brasil numa não tão ruim posição, com 5 horas em média de leitura de livros por semana, a informação aponta que esta faixa está concentrada entre os estudantes, crianças e adolescentes, especialmente, o que quer di...

Filosofia da Tatuagem

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Antes de começar a abordar a nossa alçada temática, queria explicitar o palavreado "filosófico" tomado de empréstimo. Filosofia é Amizade com a Sabedoria, e como tal, não é ela, mas é amizade, ou seja, é profunda relação íntima que se estabelece com a verdade de algo, assim, o filósofo é amigo do saber, mas não de nenhum saber particular, mas do saber sábio; das verdades superiores que dizem respeito ao funcionamento da realidade das coisas e de suas relações intrínsecas e extrínsecas. Se bem podemos investigar a verdade subentendida no seio do fenômeno moderno das tatuagens, devemos mapeá-lo historicamente em que se consiste este fenômeno para chegarmos à compreensão:    A tatuagem é um signo impresso sobre a pele do ser humano, com finalidade religiosa e ritualística, e como tal, pretende subentender uma verdade ora intrínseca, ora extrínseca, ou seja, que faz parte do interior da alma, ou que lhe externa uma relação que pela pessoa tem como importância simbolizada. É a...

Descobrindo o "eu"

Pouca reflexão fazemos da nossa vida para percebermos nela a unidade narrativa que ela é: somos todos um livro cujas páginas são escritas às várias mãos, de amigos e inimigos, de familiares e colegas, de trabalhos e escolas, de interesses sociais e amores, e uma parte disto é o que poderíamos chamar do eu, que anda muitas vezes trancafiado nas profundezas de seu próprio ser só engolindo os seres de outros seres, de outros eus. É verdade que o caminho de descoberta de si não se passa pela ruptura com amigos, inimigos, família, com trabalhos, nada disto; se passa pelo seguir exatamente neste caminho e absorvendo o que nós mesmos vimos e encontramos dentro de nós pelo espelho da realidade exterior. O mundo se divide em interior e exterior, o interior é o próprio eu numa matéria-prima potencial o tempo todo trabalhada e retrabalhada, nunca esgotada em si; o exterior é matéria-prima para o interior e ao mesmo tempo é o seu agente formulador, o progenitor do eu, mas não isoladamente. Existe ...

O resgate da linguagem pelos artesãos da língua

O resgate da cultura passa pelo resgate da linguagem, mas o que isto significa? Quer dizer que a aquisição de cultura é proporcional ao enriquecimento da linguagem para dar nomes às coisas. Em que consiste este enriquecimento da linguagem? Primeiro, em adquirir a riqueza contida nas palavras que já existem na sua língua, porque elas expressam um conjunto de experiências fenecentes dos tempos passados, tornando-as claríssimas e salutares ao tempo presente, amarrando-as. Segundo, pela consciência da forma de sua língua e não torná-la sonoramente caótica com termos e expressões alheias a ela.  A boa língua é uma obra de artesão, não é casual que se chama "texto", uma obra tecida de palavras que remetem um fato descrito, narrado e analisado, um enredo. Podemos adquirir esta riqueza artística nos livros, porque neles outros artesãos da língua trabalharam com vigor para tecê-la, em chinês há um expressão que diz: "Mil martelos e cem refundições" para descrever o forçoso...