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Quem lê hoje em dia?

Estes dias estava eu vendo uma informação de quantos livros leem por ano a medianidade da população de vários países, como a informação já era de terceira via, preferi dar uma pesquisada na internet e assim '‘averiguar’' por mim mesmo as informações. No site do UOL, apresenta-nos uma informação de que os franceses leem em média 21 livros por ano, enquanto que o Brasil lê em média 5, o que é até bastante. Outra pesquisa, Instituto Pró-Livro, aponta que o Nordeste é onde mais se lê. Em João Pessoa, 64% da população é leitora regular, algo impressionante. Se contarmos pelo número de horas em média, a Índia fica em primeiro lugar, com quase 11 horas de leitura de livros por semana; Tailândia, China e Filipinas, todos asiáticos, ficam em seguida. E embora estivesse o Brasil numa não tão ruim posição, com 5 horas em média de leitura de livros por semana, a informação aponta que esta faixa está concentrada entre os estudantes, crianças e adolescentes, especialmente, o que quer di...

Filosofia da Tatuagem

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Antes de começar a abordar a nossa alçada temática, queria explicitar o palavreado "filosófico" tomado de empréstimo. Filosofia é Amizade com a Sabedoria, e como tal, não é ela, mas é amizade, ou seja, é profunda relação íntima que se estabelece com a verdade de algo, assim, o filósofo é amigo do saber, mas não de nenhum saber particular, mas do saber sábio; das verdades superiores que dizem respeito ao funcionamento da realidade das coisas e de suas relações intrínsecas e extrínsecas. Se bem podemos investigar a verdade subentendida no seio do fenômeno moderno das tatuagens, devemos mapeá-lo historicamente em que se consiste este fenômeno para chegarmos à compreensão:    A tatuagem é um signo impresso sobre a pele do ser humano, com finalidade religiosa e ritualística, e como tal, pretende subentender uma verdade ora intrínseca, ora extrínseca, ou seja, que faz parte do interior da alma, ou que lhe externa uma relação que pela pessoa tem como importância simbolizada. É a...

Descobrindo o "eu"

Pouca reflexão fazemos da nossa vida para percebermos nela a unidade narrativa que ela é: somos todos um livro cujas páginas são escritas às várias mãos, de amigos e inimigos, de familiares e colegas, de trabalhos e escolas, de interesses sociais e amores, e uma parte disto é o que poderíamos chamar do eu, que anda muitas vezes trancafiado nas profundezas de seu próprio ser só engolindo os seres de outros seres, de outros eus. É verdade que o caminho de descoberta de si não se passa pela ruptura com amigos, inimigos, família, com trabalhos, nada disto; se passa pelo seguir exatamente neste caminho e absorvendo o que nós mesmos vimos e encontramos dentro de nós pelo espelho da realidade exterior. O mundo se divide em interior e exterior, o interior é o próprio eu numa matéria-prima potencial o tempo todo trabalhada e retrabalhada, nunca esgotada em si; o exterior é matéria-prima para o interior e ao mesmo tempo é o seu agente formulador, o progenitor do eu, mas não isoladamente. Existe ...

O resgate da linguagem pelos artesãos da língua

O resgate da cultura passa pelo resgate da linguagem, mas o que isto significa? Quer dizer que a aquisição de cultura é proporcional ao enriquecimento da linguagem para dar nomes às coisas. Em que consiste este enriquecimento da linguagem? Primeiro, em adquirir a riqueza contida nas palavras que já existem na sua língua, porque elas expressam um conjunto de experiências fenecentes dos tempos passados, tornando-as claríssimas e salutares ao tempo presente, amarrando-as. Segundo, pela consciência da forma de sua língua e não torná-la sonoramente caótica com termos e expressões alheias a ela.  A boa língua é uma obra de artesão, não é casual que se chama "texto", uma obra tecida de palavras que remetem um fato descrito, narrado e analisado, um enredo. Podemos adquirir esta riqueza artística nos livros, porque neles outros artesãos da língua trabalharam com vigor para tecê-la, em chinês há um expressão que diz: "Mil martelos e cem refundições" para descrever o forçoso...

A Páscoa - A Ressurreição da alma

Estamos no prelúdio para a Páscoa, num estado de vigília, de espera esperançosa, se me permite a redundância. Isto porque o mistério da ressurreição é um mistério que está para além das forças aparentes, para além da carne. A ressurreição de Cristo significa a ressurreição da alma humana perante este mesmo mundo que outrora o açoitara, massacrara e difamara ao último. A glória do homem está no seu corpo, embora ele mesmo não seja a sua causa, mas o efeito. O visível manifesta o que é invisível, um corpo dilacerado como foi o de Cristo pareceu que mereceu a pior punição do mundo, quando na verdade não merecia nem sequer um xingamento contra si, o ódio do mundo e o peso do pecado, isto é, da morte na alma de cada homem, é que fez o sofrimento de sua alma se manifestar visível. Mas se mereceu, por nós, tamanho castigo, mereceu mais ainda receber a mais alta glória humana, sim humana, porque foi o Cristo humano quem morreu na Cruz, a divindade não morre, embora tenha se deixado padecer na ...

Sobre algumas culturas transmitidas por Tradição Viva

A aquisição de certas culturas só se dá no âmbito individual, pessoal e numa comunicação direta, que se dê pelo menos por um canal eficaz de comunicação. Alguns exemplos de cultura que se encaixam em tais tipos são: A Filosófica, a Cristã, a Médica, a Maçônica. Em todas elas vemos o comum de haver iniciação de alguma forma, a cultura é transmitida por meio de uma tradição, esta traz todo um corpo de ideias, teorias e práticas que não podem ser aprendidas apenas por meios fixos e mortos como livros, mecânicos, ferramentas ou repetições miméticas. Esta tradição é dada por seres vivos que absorveram tais tradições e somente o indivíduo que já domina uma tradição, que esteja dentro dela, pode conferir e aceitar o outro igualmente.  Na Filosofia, o candidato a filósofo só recebe tal tradição em acompanhando outro filósofo em vida, o canal de comunicação deve ser individual e pessoal, a comunicação deve ser direta, mas outrora se pensava que deveria ser presencial, mas é sabido que nem s...

Natal: Tempo de Esperança

A cada ano o valor do Natal diminui porque as pessoas estão perdendo a fé em si mesmas, no futuro e na bondade. Parece duro o que digo, mas não é, uma sociedade que aceita normas pela sobrevivência já é uma sociedade que está morrendo. vivemos numa sociedade enferma de espírito, de cultura, de sadia relação com o outro eu, uma perda abissal da empatia que fora substituída pela norma. A norma é uma senhora muito estranha, ela chega devagar como uma imposição quase natural ao modo como a casa procede, e quando menos se pensa lá está ela mandando no jeito que se limpa o fogão, como se limpa a pia e os talheres, de quanto sal se põe na comida, o frango não pode ser frito, tem que ser assado, diz em alto e estridente som. Ela é mandona, turrona, mas agora que foi recebida por um contrato já não quer sair da casa. Quando menos se nota, os moradores da casa saem e esquecem que os donos da casa são eles, então ela manda e comanda o que nunca lhe pertencera. O Natal é o dia que Nosso Senhor ...